
A União dos Municípios da Bahia (UPB) lançou uma campanha que pode mudar o perfil das atrações contratadas para o São João em diversas cidades baianas. A iniciativa, chamada “São João sem milhão”, orienta as prefeituras a evitarem a contratação de artistas com cachês superiores a R$ 700 mil.De acordo com a entidade, a proposta tem como foco preservar a tradição cultural dos festejos juninos sem comprometer a saúde financeira dos municípios. A mobilização já ganhou apoio das associações municipalistas dos nove estados do Nordeste, que estudam adotar medidas semelhantes.A expectativa é fortalecer o forró tradicional, especialmente o “pé de serra”, além de ampliar o espaço para artistas locais e regionais, valorizando a cultura nordestina com custos mais acessíveis aos cofres públicos.Na segunda-feira (2), o Ministério Público do Estado da Bahia, o Tribunal de Contas do Estado da Bahia e o Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia assinaram uma nota técnica conjunta com orientações às prefeituras sobre os processos de contratação. O documento estabelece o valor de R$ 700 mil como faixa de atenção especial para os gestores.Segundo o Ministério Público, apenas cerca de 1% dos contratos firmados em 2025 ultrapassaram esse valor. A recomendação é que a pesquisa de preços considere a média dos cachês pagos aos artistas entre 1º de maio e 31 de julho de 2025, no próprio estado, com atualização pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), garantindo maior parâmetro de comparação e transparência.O presidente do TCE, conselheiro Gildásio Penedo Filho, afirmou que a medida não tem o objetivo de impedir a realização dos festejos, mas de assegurar planejamento, equilíbrio e responsabilidade na aplicação dos recursos públicos, respeitando a autonomia dos gestores e do mercado artístico.

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